12 Out 2026 | 4 minutos • Organização
Zerando parcelamentos
Melhorando a gestão dos gastos
Ingrid Machado
Engenheira de computação, especialista em engenharia de software. Autora deste querido blog.
De todas as estratégias financeiras que adotei esse ano, a que mais me ajudou a organizar as minhas finanças foi a mudança do meu uso do cartão de crédito. Esse resultado positivo aconteceu comigo porque eu tinha um uso nada saudável, mas acredito que rever esse tipo de gasto pode beneficiar até quem usa o cartão de crédito de maneira mais controlada.
Nesse post, pretendo compartilhar como mudei a minha abordagem e as vantagens dessa mudança.
Uso anterior
Sempre usei o cartão de crédito como um habilitador para fazer o que eu quisesse no momento em que me desse vontade. Desde que a fatura não passasse do valor do meu salário, eu considerava que estava sendo controlada.
Se eu estivesse pensando em fazer um gasto de R$ 1.000,00, eu considerava o valor da parcela. Se eu pudesse comprar em 10 vezes de R$ 100,00, então a minha lógica era a de que eu estava gastando apenas R$ 100,00. O problema é que a matemática é exata e não adianta querer reclamar quando a fatura vem num valor muito maior do que o esperado. Parcelas de R$
20,00 e até mesmo R$ 5,00 combinadas conseguem gerar faturas estratosféricas e o limite do salário pode ser ultrapassado sem perceber.
Mesmo sendo uma pessoa muito regrada, ter esse tipo de problema era recorrente e eu entendi que manter as parcelas não seria sustentável no longo prazo.
Porque não fui para o Pix
Uma solução que pensei em seguir inicialmente era largar totalmente o cartão de crédito e usar apenas o Pix. Mas não segui com essa abordagem por dois motivos.
O primeiro motivo está nas compras internacionais que faço de vez em quando e que não aceitam o Pix como meio de pagamento. E o segundo motivo, muito mais forte, é que eu deixei de ter o benefício de ter a conta sem anuidade no banco e precisava de um gasto mínimo no cartão de crédito para manter a conta gratuita.
Por esses motivos e por conseguir desconto na fatura com o programa de pontos, decidi que iria zerar as minhas parcelas e me manter usando o cartão apenas para compras à vista.
Zerando as parcelas
Para zerar as parcelas, eu precisei diminuir e muito os meus gastos e focar em pagar as parcelas existentes no meu cartão de crédito. Quando eu parei para pensar, percebi que muitos gastos eram supérfluos ou evitáveis e parar de gastar era um exercício muito mais psicológico do que eu imaginava.
A minha primeira atividade foi listar todas as parcelas que eu tinha pendentes no cartão. A minha primeira surpresa estava na quantidade de parcelas futuras e no quanto eu já tinha comprometido de faturas do ano seguinte.
Depois de listar todos os gastos, avaliei para onde o meu dinheiro estava indo. Quando gastamos aos poucos, os gastos parecem menores. Mas juntar tudo e avaliar de uma vez me mostrou onde estava falhando e onde poderia controlar melhor os gastos.
A atividade seguinte foi simular no aplicativo do banco quanto ficaria adiantar as parcelas. No meu banco, eu tenho a opção de adiantar as parcelas e receber um desconto por isso. Então, eu fiz uma tabela com os gastos, listando o valor dos adiantamentos, e selecionei os valores menores para adiantar imediatamente.
Quando uma parcela é adiantada, ela é cobrada na fatura seguinte. Por isso, eu me comprometi a separar um valor já do próximo salário para pagar esses adiantamentos iniciais.
Com a visão dos adiantamentos, foi possível fazer um planejamento do quanto eu conseguiria pagar por fatura para matar as parcelas seguintes. E isso só foi possível me comprometendo a parar de fazer novos parcelamentos e a focar em pagar esses adiantamentos.
Uso atual
Depois de conseguir matar todos os parcelamentos, eu passei a usar o meu cartão apenas para compras à vista. Dessa forma, o quanto eu estou gastando fica muito mais claro, porque esse valor é representado diretamente pelo total da fatura. Ou seja, uma compra de R$ 1.000,00 aparece como R$ 1.000,00 e não como R$ 100,00 no mês seguinte.
Existem algumas exceções. Por exemplo, as minhas assinaturas do Hotmart renovam com as mesmas condições da compra original. Mudar essa configuração pode significar perder um desconto e prefiro manter o desconto nesses casos. Quando isso acontece, eu espero a cobrança ser feita e faço imediatamente o adiantamento de todas as parcelas no aplicativo do banco.
Dentro do meu acompanhamento de renovações eu tenho a observação indicando se está parcelado e o valor total. E é o valor total que eu considero no momento de decidir se vou renovar ou não.
Dependendo do quanto você parcela as suas compras, pode ser bem difícil fazer essa mudança. Mas eu acho que o ponto principal é ter ciência dos gastos, porque, no meu caso, foi isso que me motivou a parar de gastar e conseguir focar em pagar o que eu já devia.
Outra dica interessante é conferir se o seu cartão de crédito tem um programa de pontos que permite descontos na fatura. A cada 6 meses, aproximadamente, eu uso os meus pontos para ganhar esses descontos e sempre fico muito contente com o quanto consigo diminuir na fatura com essa prática.
Espero que tenha sido útil compartilhar contigo essa minha estratégia. Caso você queira conhecer estratégias diferentes, o YouTube tem vários vídeos de pessoas que passaram por esse mesmo processo, explicando como conseguiram fazer no caso delas.
Até a próxima!
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